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| Messi em ação pelo Barcelona (Foto: Getty) |
O autismo é uma síndrome que está presente na vida de seres humanos no mundo inteiro. A ONU estima que 70 milhões de pessoas, ao redor do planeta, possuem o transtorno, considerado um tipo de deficiência intelectual, marcada pelas imprecisões no desenvolvimento das habilidades sociais, cognitivas e comunicativas.
Contudo, o autismo está longe de ser uma barreira intransponível. Ao longo do tempo, o diagnosticado necessita de atenção e o apoio necessário para crescer e progredir de maneira saudável.
Tratado como empecilho, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) não impede a prática de esportes. Dessa forma, a reportagem da AUTOLÁ conversou com especialistas para determinar a real performance de um portador da síndrome no meio esportivo. Afinal, até onde um autista pode chegar!?
Como a maior ‘’lenda urbana’’ do esporte provoca a medicina e esclarece incertezas sobre a performance do autista no cenário esportivo
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| Messi saúda torcida do Barcelona (Foto: Getty Images) |
Não existem dúvidas de que Lionel Messi é um jogador diferenciado. Eleito por seis vezes o melhor do mundo pela FIFA, o argentino chama atenção por conta de seu comportamento dentro das quatro linhas e instiga os apaixonados por futebol, que insistentemente, buscam respostas para justificar o desempenho do atleta do Barcelona.
Durante a infância, Messi foi diagnosticado com autismo e algumas das características dessa condição o ajudaram a se tornar um dos maiores nomes da história do esporte.
Tenho certeza de que, provavelmente, você já ouviu essa história ou recebeu de algum amigo pelas redes sociais. Pois é, tudo não passa de uma ‘’lenda urbana’’. Não existe nenhum diagnóstico que comprove, de fato, o autismo do jogador. Ainda assim, alguns especialistas insistem em afirmar que Messi possui o transtorno.
''Algumas pessoas falam dessa questão porque ele consegue, de forma impressionante, repetir movimentos de maneira perfeita. As jogadas do Messi são muito iguais e o argentino consegue executá-las como se estivesse fazendo sempre a mesma coisa'', diz Bruno Prado, comentarista da Rádio Jovem Pan de São Paulo. ''Mas não existe nenhuma comprovação científica. É uma história que contam por aí'', pontua.
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| ''La Pulga'' com a camisa da Argentina (Foto: AFP) |
Neurologista e membro da ABENEPI (Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil e Profissões Afins), o Dr. Clay Brites explica que os portadores da síndrome costumam ser profundamente detalhistas nas respectivas áreas de interesse.
''Indivíduos com autismo, quando são hiper focados ou extremamente fascinados por determinado assunto, objeto ou área de atuação, eles costumam ser excessivamente meticulosos, detalhistas e muito dedicados de forma obcecada naquela área de conhecimento. Geralmente, são pessoas que conseguem grandes conquistas naquilo que fazem''
O doutor aproveitou para analisar a conduta de Messi e apresentou outra particularidade que pode ser notada em jogos da Seleção Argentina ou Barcelona.
''O autista tem pouca assertividade e empatia. Não sabe lidar muitas vezes com situações que exigem uma alta percepção social. O que a gente enxerga no Messi é isso. Nas oportunidades que já tive de vê-lo em ação, ele vai muito bem quando está jogando bola, quando está fazendo aquilo que sabe fazer mas não é tão sensível ou simpático em ambientes que é necessário ter um bom comportamento social'', explica.
Isso quer dizer que, no esporte, o autista possui vantagem para os demais?
Clay explica que a superioridade depende do encanto do autista com o esporte. Caso contrário, o indivíduo enfrenta dificuldades e complicações.
''O autista só possui vantagem no esporte se ele for fascinado por aquilo, por aquela determinada modalidade’’, explica o Dr. Clay Brites. ‘’Mas se o autista não demonstra interesse pela prática esportiva, consequentemente ele não vai ter boa performance motora, espacial e executiva para cumprimento de exercício físico'', completa.
Diagnóstico tardio continua sendo recorrente
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| Sílvia Grecco narra os jogos do Palmeiras para o filho Nickollas, que é deficiente visual e autista (Foto: Divulgação) |
Uma história que emocionou o mundo. No dia 9 de Setembro de 2018, Palmeiras e Corinthians se enfrentavam no Allianz Parque, em mais uma partida do Campeonato Brasileiro. De repente, uma cena da arquibancada fascinou mais o público do que o próprio jogo.
A televisão mostrou, na oportunidade, a mãe no estádio narrando para o filho, deficiente visual e com autismo leve, o que se passava em campo no grande clássico paulistano.
Um ano depois, a comovente história foi premiada em Milão, na Itália, com o ''FIFA Fan Award'', prêmio destinado aos torcedores e fãs do futebol. Sílvia Grecco, mãe do palmeirense Nickollas, discursou no palco da considerada maior premiação da categoria.
''Nós estamos aqui representando nosso time, Palmeiras. Todos os torcedores do Brasil e do Mundo, todos aqueles que torcem pela pessoa com deficiência''
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| Sílvia com Nickollas no palco do 'FIFA The Best', em Milão (Foto: Flavio Lo Scalzo / Reuters) |
Quando tinha apenas cinco anos de idade, Nickollas foi diagnosticado com autismo leve.
''Por conta do Nickollas ser deficiente visual, tivemos um pouco de dificuldade de saber do autismo. Ele agia de algumas formas e eu imaginava que seria por conta da deficiência visual. Sempre foi muito preservado, no mundo dele, demorou para começar a falar...'', disse Sílvia à reportagem da AUTOLÁ.
Sílvia revela que o diagnóstico tardio fez bem à Nickollas.
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| (Foto: Arquivo Pessoal) |
O fato não impediu Nickollas de ir aos estádios torcer para o Palmeiras. A mãe nos contou que a torcida pelo Palestra nasceu em um encontro com Neymar, ídolo do filho, que defende as cores do Paris Saint-Germain.
''Eu tive a oportunidade de levar o meu filho para conhecê-lo, em Santos. O Nickollas passou a mão no rosto, no cabelo... Aproveitei a oportunidade, sabendo que o Neymar na adolescência torceu pelo Palmeiras e falei: 'Não mente para o menino. Você torceu para o Palmeiras?'. Ele disse que sim para o Nickollas, que passou a torcer para o Porco''
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| Nickollas torce para o Palmeiras (Foto: Cesar Greco / Palmeiras) |
Confira, na íntegra, a matéria em áudio:
Pedro Marques (RA: 3247631)







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