Educação para autistas enfrenta dificuldades nas escolas
Desafios e descobertas para as redes de ensino, que engatam mudanças para melhor atender seus alunos com autismo 




      A preocupação com a aprendizagem das crianças autistas cresce cada vez mais. Quando pensamos na palavra suportar, logo associamos a aguentar algo ou alguém, mas na verdade tem relação com dar suporte. Temos que dar suporte e auxiliar essas crianças para interagirem com o mundo afora. Segundo o site Diário de Pernambuco, estima-se que no Brasil existam 150 mil casos diagnosticados, além de milhões sem diagnóstico. E a educação tem um papel fundamental, pois muitas crianças autistas antes de entrar na escola, talvez não tiveram experiências e contato com crianças da sua idade. 

Há um grande desafio para a política educacional referente à inclusão de alunos com deficiência nas escolas, principalmente com crianças autistas. Existem diversas dificuldades de comunicação e interação como, por exemplo, o convívio de crianças autistas com as outras crianças. 

Por apresentar dificuldades de desenvolvimento, essas crianças necessitam de acompanhamento de profissionais preparados e envolvidos com a educação, extremamente dedicados. Vinculando junto com o empenho dos seus familiares, como você pode analisar na reportagem da Laís. 

A escola inclusiva é muito importante para o relacionamento social e o desenvolvimento das habilidades de todos os educandos. Logo, as necessidades educativas especiais apresentadas pelo autismo também, pois o mesmo é considerado deficiência por lei, onde tem direito de fazer uso de todos os benefícios que a inclusão. De acordo com a reportagem realizada pela Nátallie , embora a legislação ajude a integração do autista nas escolas, ela não é respeitada.  



Pensando na escola inclusiva, como aspecto de suporte aos autistas, fomos até o SESI de Ferraz de Vasconcelos para entrevistar Evellyn Soares, 26 anos, estagiária, que acompanha diariamente a aluna Heloísa de 12 anos. Confira no vídeo abaixo: 




imagens da Escola



Visando o convívio no ambiente escolar, Roberto Ramos, 39, inspetor da Escola Estadual Deputado João Dória, que fica localizada no Itaim Paulista, diz que existe um cuidado específico para cuidar e guiar as crianças autistas na escola. “As crianças do fundamental [ensino] principalmente, porque elas correm muito e há vários degraus pela escola. Os autistas podem cair, ficarem incomodados com o barulho e muitas vezes não sabem ao certo o que está acontecendo naquele momento.” 


Ele conta ainda que tem um aluno que possui autismo em um nível grave, o horário dele é diferente das outras crianças, porque ele não consegue ficar nos ambientes que as crianças fazem muitos movimentos e barulho. Ele começa a gritar e se debater. “Temos que ficar de olho neles a todo momento.” 


Ramos confessa que na maioria das vezes não sabe o que fazer com as crianças de comportamento agressivo, mas que “faz inconscientemente”. “Não recebi qualificação de como tratar os autistas nesses momentos.” Nas maiorias das escolas os funcionários, em geral, recebem uma básica qualificação, ou as vezes nem isso, em conversa com uma psicopedagoga, notamos dicas de como ensinar e lidar com os autistas na sala de aula.   
Confira o podcast no final da reportagem com Geruza Rodrigues da Costa Carvalho, 47 anos, psicopedagoga. 


De acordo com a Geruza, o diagnostico tardio é cada vez mais frequente. Lucas Machado, pai de Davi, 14 anos, portador do autismo, confirma o momento que recebeu a notícia: “Demorou para ele evoluir, começar a falar, andar, e até mesmo engatinhar. Achamos estranho, mas a pediatra falava que era normal, que várias crianças demoram para fazer essas atividades. Até que aos 3 anos, ele ainda não conseguia se comunicar igual outras crianças da sua idade, tinha diversas dificuldades e pedimos para serem feitos exames. Recebemos o laudo e ficamos muito preocupados e ao mesmo tempo aliviados pois íamos receber instruções de como lidar com essa situação.”  


Em seguida ele comenta como foi difícil colocá-lo em uma escola, “Davi não frequentou o ensino básico, foi expulso de muitas escolas que não o aceitavam. Por não saber se comunicar, ele ficava nervoso e machucava as crianças. Quando tinha 8 anos encontramos escola da Associação Amigos Criança Autista, que nos ajudou e conseguiu incluir Davi na vida escolar.” 


A série Atypical retrata o universo de um jovem 18 anos, diagnosticado com o espectro do autismo, que estuda e está entrando no mercado de trabalho, vivendo, descobrindo coisas novas e criando amadurecimento. Higor Lopez, portador de autismo, está no terceiro ano do ensino médio e conta como a série retrata o tema e o representa "Por ser uma série de comédia, fica mais legal das pessoas entenderem e se divertir. Mas também, mexe com o real e com as coisas que eu passo." Ainda, ele fala como a série mudou o olhar das pessoas "Depois da série as pessoas começaram a me respeitar mais, pararam com certas brincadeiras e não sentem dó de mim, perceberam que sou uma pessoa com necessidades e passaram a me tratar de igual para igual." 

Seriado Atypical

Muito se pensa na educação do futuro, de como melhorar e incluir os alunos autistas no ensino. O professor, escritor e coordenador pedagógico Juliano Gonçales vem trabalhado e aprimorado ideias de desenvolver práticas didáticas para os professores e orientadores, através de palestras e de livros que aos poucos, está ganhando espaço no material de professores. Em toda escola em Gonçales trabalha ou dá palestra, ele busca implantar esses livros. "É muito importante dar treinamentos e ensinar aos profissionais da área da educação de como ensinar, lidar e desenvolver as habilidades dos alunos autistas."  


Ele ainda comenta como surgiu a ideia de fazer os livros "eu escrevi um livro chamado Minecraft Na Educação Básica, com o intuito de mostrar aos professores que os alunos conseguem aprender brincando. Em uma das minhas palestras me perguntaram se os métodos descritos no livro se encaixavam para os alunos também, fiquei pensativo e quis reescrever o livro com um capitulo falando só de autistas", Juliano diz que um capitulo seria pouco para tanta informação que resolveu fazer outro livro. "Fiquei comovido com tanta informação e percebi que ainda existem pessoas com pouco conhecimento do tema, e escrevi o livro "Autismo, Práticas Pedagógicas e Mercado de Trabalho" no ano passado, obtive respostas muito positivas e fiquei feliz por ajudar tantas pessoas. Notei que ainda faltavam informações e publiquei esse ano o livro "Transtorno Do Espectro Do Autismo (TEA) e As Práticas Pedagógicas". Para as crianças, lancei esse mês o livro "Mundo azul" em parceria com uma escritora e ilustradora", comenta o coordenador orgulhoso pelos seus trabalhos. 

Juliano Gonçales 


Livro do Juliano