O Autismo é real e a inclusão é fundamental
O acompanhamento de profissionais e a informação tem que ser repassada

       O autismo, classificado como TEA (transtorno do espectro autista) é um transtorno do neuro desenvolvimento infantil caracterizado pelas dificuldades na interação social, comunicação e interesses restritos podendo apresentar sensibilidades sensoriais. Os casos ocorrem mais em crianças do sexo masculino, algumas alterações na região cortical do cérebro, que é a região do nosso cérebro responsável pela fala, sensibilidade.


Escute o Podcast  no final da reportagem onde Ana Patrícia, psicóloga clínica conta sobre como a psicologia entra ajudando as pessoas dentro do espectro, ela conta que  ‘’Na psicologia damos um suporte, trabalhando na parte comportamental do indivíduo dentro do transtorno, ou seja, trabalhamos nas questões comportamentais que podem minimizar os impactos que os sintomas promovem nessa criança no TEA.’’


Ainda não se sabe a causa do autismo, pois é um toldo de fatores, mas há alguns que podem ser causadores, como fatores genéticos, ambientais ou hereditários.

    
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que há 70 milhões de pessoas com autismo em todo o mundo, sendo 2 milhões somente no Brasil. Estima-se que uma em cada 88 crianças apresenta traços de autismo, com prevalência cinco vezes maior em meninos.
      
O diagnóstico é inicialmente feito por um pediatra, quando os pais começam a desconfiar de alguns sintomas de seus filhos, quando se é bebê e não tem o contato visual na hora da amamentação, por exemplo. O pediatra encaminha para um neurologista que fecha o diagnóstico.

   
 Dra. Joseane Almeida, pediatra diz que ‘’A atuação do pediatra é essencial para a identificação precoce espectro, o profissional responsável pelo acompanhamento das crianças desde os primeiros dias de vida, esse acompanhamento é fundamental e quanto mais cedo mais efetivo será o ganho no desenvolvimento. ’’


                                                                     Imagem: ThitareeSarmkasat/iStock
     Antes o problema era dividido em cinco categorias, entre elas a síndrome de Asperger. Hoje, ele uma única classificação, com diferentes graus de funcionalidade e sob o nome técnico de transtorno do espectro do autismo. 

      
Não podemos generalizar, nem sempre o fato de a criança ser muito inteligente quer dizer que ela faça parte do espectro, o autista de altas habilidades tem hiperfoco, quando um assunto é de seu interesse ele terá um interesse exagerado sobre esse tema e irá buscar diversas informações dentro do mesmo contexto e muito provavelmente se tornará o melhor nisso.

      
Um exemplo muito famoso dessa situação é a série ‘’The Good Doctor’’ fala sobre o médico Shaun Murphy que tem um alto nível de inteligência que consegue diagnosticar seus pacientes com facilidade, mas que causa falta de confiança de seus colegas de trabalho por ser autista. Nas cenas ele se mostra um médico com extrema sinceridade que acaba dizendo com dureza algumas palavras e que dificilmente consegue omitir as coisas. 
Seriado The Good Doctor
      Uma história na vida real e semelhante á este seriado é sobre Enã Rezende, jovem de 26 anos que se formou em medicina Mato grosso.

    
A entrevista do G1 da Globo conta que o jovem sofreu muito preconceito desde cedo, quando tinha seis anos sua mãe o matriculou em uma escola, aos sete anos sua professora afirmou que ele não iria ser alfabetizado então a cunhada de Érica que trabalhava com alfabetização decidiu ensina-lo e em dois meses Enã já estava alfabetizado. Além disso, Enã era tratado com desprezo pelos colegas por ser diferente, muitas vezes até sofria agressões físicas.

 Sua trajetória surgiu de inspiração para sua própria mãe, Érica Rezende é psicóloga e decidiu criar um projeto de ir todas as sextas-feiras em escolas para passar a informação sobre o autismo assim, a inclusão acontece e não ocorre mais com outras crianças do espectro o que seu filho passou. 

Enã Rezende 26 anos 


        Devido as dificuldades de aprendizagem que vimos que aconteceu com Enã, conversamos com Lívia Coelho formada em pedagogia que atua nas salas de aula atualmente e ela nos contou que ‘’ O aprendizado em sala de aula ocorre gradativamente, de forma que a criança possa ser respeitada em sua individualidade e respeitando seu tempo de aprendizagem, não podemos esquecer que isso se faz num processo educativo escola\família. A família deve ser colaborativa no processo educacional da criança. Costumo usar o ditado em minha vida pedagógica ‘’Juntos somos mais fortes. ’’

Tivemos também uma conversa com a Psicóloga e Psicopedagoga do núcleo de apoio Psicopedagógico - NAP , Cintia Nazaré Madeira Sanchez ela conta que ''A escola deverá conhecer o aluno e realizar adaptações pedagógicas individualizada. Essas adaptações devem ser de acordo com a necessidade de cada aluno, o plano de intervenção para minimizar os problemas nas instituições leva em conta a singularidade do aluno. Não existe uma forma única de intervenção, cada aluno tem suas necessidades individuais. Os principais cuidados de uma psicopedagoga para uma criança autista é realizar uma avaliação diagnóstica para identificar as necessidades de apoio e elaborar um plano de intervenção adequado as necessidades identificadas.'' 


Ainda falando em projetos e inspirações como a mãe de Enã com o projeto das escolas conversamos com  Larissa Monteiro Santos de 22 anos, formada em licenciatura e bacharel em Educação física. Larissa tem um projeto pesquisa chamado Canula, o projeto tem como objetivo ajudar crianças autistas e levar o conhecimento para as pessoas sobre o espectro e para isso ela vende canudos de bambu para arrecadar dinheiro para ir até a Califórnia onde tem o maior laboratório de autismo e ajudar pessoas com o espectro através do seu conhecimento.


Tudo começou com um TCC, Larissa e uma amiga decidiram falar sobre o a inclusão do aluno autista na aula de educação física, o TCC não tinha um tema, mas por coincidência o local de estágio obrigatório tinham muitos alunos autistas e começaram a pesquisar afundo sobre todo esse mundo do espectro.


Após o término da faculdade, Larissa se encantou por esse mundo e ainda sim quis ir atrás de mais informações, estudos, pesquisas pelo querer de ajudar mais, e foi ai que descobriu que na Califórnia tem o maior laboratório autista e dai sim a ideia de criar o projeto e fazer canudos de bambu para conseguir dinheiro para realizar esse sonho.


Logo no começo do projeto através das redes sociais, Larissa teve uma quantidade de retorno muito grande, começou a palestrar, começou a ter patrocinadores e  com esses retornos começou a fazer o logo para o projeto, camisas e agora está juntando dinheiro para tirar seu passaporte.


Ela conta ‘’ O Canula está ai, de pé, eu faço tudo o que posso, na medida do possível e impossível, atendo as crianças, os pais que estiverem dispostos a trazerem eu atendo, sempre dou um jeito com uns horários, pois também tenho minha vida pessoal, estou de portas abertas. O Canula é um projeto que levanta duas bandeiras a do meio ambiente e a do ser humano, a gente ajudando um ao outro, vivemos bem, dividimos o mesmo espaço e o objetivo do Canula é poder ajudar todo mundo, pois dependemos um do outro.’’
Larissa Monteiro Santos, 22 anos 

Canudos de Bambu do Projeto Canula